A cobertura mediática das alterações climáticas nas ilhas do Pacífico: a voz do povo

Media Coverage of Climate Change in the Pacific Islands: The Voice of the People

Ana Rita Nobre Martins
Mestrado em Jornalismo e Comunicação

Faculdade de letras da Universidade de Coimbra

2024/2025

Resumo

As alterações climáticas são um dos problemas mais debatidos do nosso século. Apesar de todos os países estarem em crise climática existem regiões que se encontram em posições de maior vulnerabilidade, sendo uma dessas a região das ilhas do Pacífico. A cobertura mediática das alterações climáticas apresenta um papel crucial na perceção do público sobre estas comunidades, sendo imprescindível a sua representação.
Este artigo analisa em que medida os meios de comunicação internacionais, BBC, Al Jazeera e The Guardian utilizam vozes nativas desta região nas suas coberturas mediáticas relativamente ao tema. Através da análise de um total de 94 peças jornalísticas foi possível concluir que 70% das amostra inclui fontes locais, sendo que o The Guardian se destacou ao inclui-las em 77% das suas peças e por apresentar mais 25% de vozes locais do que de fontes externas. A análise temática demonstrou uma predominância de tópicos relacionados com desastres naturais e uma menor cobertura em temas relacionados com a migração forçada.

Palavras-chave: Alterações climáticas, ilhas do pacífico, migração forçada, media,

Abstract

Climate change is one of the most debated issues of our century. Although all countries face a climate crisis, some regions are in positions of greater vulnerability, one of which is the Pacific Islands region. Media coverage of climate change plays a crucial role in shaping public perception of these communities, making their representation indispensable.

This article analyzes the extent to which international media outlets, including the BBC, Al Jazeera, and The Guardian, incorporate native voices from this region in their climate change coverage. Through the analysis of a total of 94 journalistic pieces, it was found that 70% of the sample includes local sources, with The Guardian standing out by including them in 77% of its pieces and featuring 25% more local voices than external sources. The thematic analysis revealed a predominance of topics related to natural disasters and a lower focus on issues related to forced migration.

Keywords: Climate change, Pacific islands, climate-induced migration, media

Introdução
Para muitos, as alterações climáticas são um problema “discreto” da sociedade contemporânea (Schäfer & Schlichting, 2014). Tal deve-se, em grande parte, à dificuldade de observar, em primeira mão, os desenvolvimentos do clima ao longo do tempo e do espaço (Schäfer, 2015). São escalas amplas e de abstrata compreensão para a maioria dos seres humanos, sendo que o passado não é de fácil acesso, tal como outras regiões do mundo também não o são. Para além desse fator, uma das principais causas antropogénicas para as alterações climáticas é a emissão dos gases de efeito de estufa, que continuam por si só, a ser invisíveis para os olhos humanos (Schäfer, 2015). Aliado a esse fator, a complexidade considerável do tema, com dados, modelos e medidas apresentados pela comunidade cientifica, abstratos ou densos para uma grande parte da população, torna toda esta temática ainda de mais difícil compreensão. No entanto, outro principal fator para a perceção de distancia e desinteresse perante este tema, deve-se ao facto que, mais uma vez, para uma parte considerável da população, os impactos ambientais e sociais causados pelas alterações climáticas não se estão a manifestar no “aqui e agora” (Schäfer, 2015). Apesar de já todos termos presenciado de uma forma ou de outra alguns desses impactos, quer seja por tempestades mais frequentes, falta de neve e estações do ano menos definidas, terramotos ou situações de seca iminente, para muitos não de afasta assim tanto da “normalidade” (Gupta, 2022; Voss, 2008).
Coloca-se então aqui a questão: quem é que realmente está e será mais vulnerável às alterações climáticas? Devido a uma combinação de fatores económicos, sociais e geográficos, as principais regiões e populações afetadas encontram-se principalmente no denominado Sul Global (Almulhim et al. 2024), onde se verifica a intensificação de fenómenos climáticos extremos e uma limitada capacidade de proteção contra estes (Almulhim et al. 2024; Voss, 2008). Sendo que as populações mais impactadas tendem a ser aquelas que já se encontravam inicialmente em situações de maior vulnerabilidade social, tais como minorias étnicas, comunidades rurais, idosos, mulheres e crianças, cuja subsistência está frequentemente depende diretamente da utilização de recursos naturais (Gupta, 2022)

Entre os territórios de maior vulnerabilidade, encontram-se os arquipélagos das ilhas do Pacífico. Estas regiões estão a presenciar uma rápida subida do nível das águas do mar, degradação de ecossistemas e tempestades cada vez mais destrutivas, sendo estes fenómenos uma ameaça direta à habitabilidade destas ilhas e por consequência à sobrevivência das comunidades que nelas se encontram (Farbotko, 2010). As comunidades destas ilhas não estão apenas a lidar com perdas materiais mas também com a ameaça de enfraquecimento das suas identidades culturais e modos de vida profundamente conectados com a natureza (Dreher & Voyer 2014).  
Perante este cenário, a representação mediática destas comunidades apresenta um papel importante na perceção global dos desafios enfrentados nestas regiões. Segundo Boykoff (2011), os media são uma ferramenta com o poder de moldar narrativas de forma a influenciar perceções públicas e decisões políticas, não só mas também, relacionadas com as alterações climáticas. Contudo, de acordo com Farbotko e Lazrus (2012), a cobertura mediática das alterações climáticas nesta região refere frequentemente estas comunidades como “vítimas passivas” e não como intercetores ativos e resistentes, enfatizando a vulnerabilidade extrema que pode perpetuar estereótipos e marginalização. Dreher e Voyer (2014) argumentam que este tipo de abordagem tem impacto nas vozes e iniciativas locais, negligenciando-as e deixando-as de parte.

Este artigo tem como objetivo explorar a questão, “se a cobertura mediática nas ilhas do pacifico dá voz às populações nativas na frente das alterações climáticas”. Para encontrar resposta a esta questão de relevância ética, serão analisadas peças de três meios de comunicação internacionais, a BBC News, a Al Jazeera English e o The Guardian, onde o foco será compreender a frequência das citações de fontes nativas e locais. Segundo Traquina (2020), os media têm como uma das suas responsabilidades representar as comunidades de forma igualitária e justa para que seja possível promover a diversidade e inclusão. Ward (2015) argumenta que uma cobertura mediática ética é imperativa num planeta em crise climática. Ao destacar vozes locais, o jornalismo pode contribuir para encontrar soluções mais culturalmente informadas e justas para combater a urgência climática.

A vulnerabilidade da região das ilhas do Pacífico

“O meu povo é o urso polar do Pacífico”, foi com esta frase que, em 2014 num congresso climático em Nova Iorque, Anote Tong, o então presidente de Kiribati, descreveu a urgência climática e o futuro do seu povo (Yeo, 2014). Uma metáfora que alertou o mundo para uma crise climática silenciosa que está a ocorrer naquela região do planeta.
Os impactos sentidos nas ilhas do Pacífico são agravados pelo facto de serem territórios consideravelmente pequenos e com densidades populacionais altas (Urooj, 2022). Entre os impactos já relatados os mais severos são a subida veloz do nível das águas do mar, o aumento da ocorrência de fenómenos climáticos extremos, tais como tufões, ciclones e tempestades, e a degradação de ecossistemas costeiros (Farbotko, 2010). Estas comunidades subsistem sobretudo devido à sua dependência com os recursos naturais, principalmente os recifes de coral e as zonas piscatórias, que cada vez mais estão sob ameaça devido ao aumento da temperatura atmosférica e à acidificação dos oceanos (Shea et al. 2020).
As duas ameaças mais tangíveis para perceber que a urgência climática é real, são a intensificação de eventos meteorológicos adversos e a subida do nível das águas do mar. Em países como Kiribari, Tuvalu e ilhas Marshall, a inundação de terras agrícolas, que prejudica a segurança alimentar, já está a forçar deslocamentos internos e externos (Farbotko & Lazrus, 2012). Estudos indicam que, até ao final do século XXI, o nível das águas do mar pode aumentar em 1,2 m, se tal acontecer são vastas as áreas costeiras, e até algumas ilhas, que estarão completamente submersas por essa data (Nunn, 2013).

 Recentemente, após a emergência climática tornar-se ainda mais pertinente, surgiu o temos de “ refugiados climáticos”, que embora permita a maior visibilidade destes casos, nem sempre reflete estas comunidades como agentes ativos e resilientes (Dreher & Voyer, 2014).

Figura 1 – Mapa das ilhas do pacífico, incluindo Fiji, Tonga, ilhas Salomão, Samoa, Tuvalu, Vanuatu, ilhas Marshall e Kiribati. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_islands_in_the_Pacific_Ocean

A ameaça que estes povos vivem vai muito para além da perda de património e bens materiais, toda a sua identidade cultural está profundamente enraizada nestas ilhas. Sendo que as a conexão com a natureza não é apenas manifestada através de práticas espirituais mas também de um profundo respeito pela sustentabilidade dos recursos naturais (McCrackin et al. 2024). A submersão destes países e o deslocamento forçado representam muito mais do que perder um território, significa perder anos de história e tradições, significa perder a identidade cultural e ser estrangeiros noutro país (Perumal, 2018).
A vulnerabilidade nesta região não é determinada apenas consoante os fenómenos ambientais como também pelas desigualdades sociais que limitam a capacidade destas comunidades para responder às alterações climáticas. Dreher e Voyer (2014), refletem que, abordar a crise climática não deve focar-se somente em encontrar soluções técnicas para a mitigar mas também em abordar o tema de forma ética e inclusiva, para que seja reconhecida a dignidade e a agência que estas comunidades representam para alcançar a justiça climática.

A ética na cobertura mediática
Desde há muitos anos que os meios de comunicação social representam um papel importante na formação de opiniões públicas e na definição de prioridades políticas. Contudo, reportar sobre os impactos das alterações climáticas nas comunidades mais vulneráveis é complexo e de grande responsabilidade. Ward (2015) defende que todo o tipo de jornalismo precisa de estar fundamentado em responsabilidade, e o jornalismo climático não é diferente. A desinformação e a má conduta linguística e de enquadramentos podem ter repercussões graves, não só para o meio ambiente como também para as comunidades envolvidas. Hulme (2009) argumenta que frequentemente, para gerar audiência, a cobertura deste tipo de eventos é feita através de narrativas pouco profundas, alarmistas e sensacionalistas, enquadramentos esses que podem negligenciar a dignidade destes povos e perpetuar estereótipos e desigualdades. Para a prática de um jornalismo justo e ético a imparcialidade tem de ser um dos fundamentos principais.

Para promover a justiça climática é importante que existe uma fluxo continuo de informação que seja factual e credível, que valorize as perspetivas locais e que inclua as vozes das comunidades que estão a ser diretamente impactadas pela urgência climática (Ganapathy, 2020). A ausência de representações e perspetivas diversificadas limita a compreensão do publico sobre as experiências vividas nessas regiões e as soluções que as comunidades encontraram para mitigar os impactos sentidos localmente (McCrackin et al. 2024).

Ward (2015) ressalta ainda que, perante a crise climática, as coberturas mediáticas devem transcender fronteiras nacionais e culturais de forma a apelar à responsabilidade coletiva. Quando existe a visibilidade de histórias de resiliência e de sucesso, os media não estão apenas a relatar factos reais como também estão a desconstruir o estereótipo de impotência e a inspirar o público a agir (Ganaphaty, 2020).

Apesar das iniciativas para que as coberturas mediáticas realizadas sejam mais inclusivas, os desafios permanecem. A concentração dos grandes media internacionais em países do Norte Global, pode enviesar as perspetivas para opiniões centradas nos valores ocidentais e desfocar das perspetivas das minorias que enfrentam essas realidades. Sendo que com este estudo, a intenção é compreender de que forma estas dinâmicas estão a acontecer.

Metodologia

Como mencionado anteriormente esta investigação tem como objetivo compreender a frequência com que são citadas fontes locais das ilhas do Pacífico que estão a ser efetivamente afetadas pelas alterações climáticas. Através da revisão de literatura, foram selecionados para análise os países de Fiji, Ilhas Marshall, Ilhas Salomão, Kiribati, Samoa, Tonga, Tuvalu e Vanuatu. Estes países estão na linha da frente a lutar contra os impactos causados. Para que seja possível responder à questão principal, foi utilizada uma metodologia de âmbito quantitativo feita através de revisão da literatura e análise de conteúdo a três meios de comunicação internacional a BBC News, a Al Jazeera English e o The Guardian. 

A escolha desses meios foi motivada não só pela sua ampla influência global como também pelas suas diferentes características:
A BBC News é a secção de notícias escritas pertencente à BBC, uma emissora pública britânica. É financiada principalmente através de de uma taxa obrigatória paga paga por todos os utilizadores com televisão do Reino Unido. A BBC tende a ser conhecida por se focar na divulgação de notícias através de narrativas de imparcialidade (BBC, 2025).

A Al Jazeera News, é a secção de notícias escritas pertencente à emissora baseada no Qatar, Al Jazeera. É financiada parcialmente pelo governo do Qatar. A Al Jazeera é frequentemente referenciada pela sua diversidade e inclusividade social (Al Jazeera, 2025).
O The Guardian é um jornal britânico tradicional, antes apenas se encontrava na forma impressa mas altualmente também se encontra na forma digital. É um jornal privado e independente, financiado principalmente por doações de leitores e assinaturas digitais. É conhecido pela sua postura editorial progressista, sendo que a sua abordagem pode ser mais opinativa em relação a certos temas (The Guardian, 2025).

Tendo em conta a questão de partida e a investigação teórica realizada foram formuladas três hipóteses que procuram explorar diferentes aspetos da cobertura mediática. As hipóteses desenvolvidas são utilizadas para orientar a investigação metodológica e por fim serão relacionadas com os dados obtidos através da análise de conteúdo:

H1: As fontes nativas são citadas com menor frequência comparativamente às fontes externas.
H2: A Al Jazeera English apresenta mais peças com citações de vozes nativas do que a BBC News e o The Guardian.
H3: O The Guardian apresenta maior frequência de vozes nativas do que a BBC News.

Devido à pouca cobertura mediática relativamente às alterações climáticas nas ilhas do Pacífico, para a recolha de conteúdo foi escolhido o espaço temporal entre os anos de 2000 e 2024.

Para realizar a recolha do conteúdo digital foram definidas diversas categorias utilizadas para organizar a informação retirada da análise de cada peça. A determinação de categorias facilita o processo de tratamento de dados. As categorias determinadas foram meio de comunicação, género jornalístico, tema, fonte, nacionalidade da fonte, função da fonte e países mencionados na peça. Os géneros jornalísticos escolhidos foram a notícia, utilizada para relatar eventos recentes e com foco nos principais pontos e a reportagem, que é um modelo de informação mais completo, abordando diferentes camadas da temática (Medina, 2001). Apesar de em pouca quantidade foi incluído também o género jornalístico de entrevista, sendo que as entrevistas são técnicas diretas de obter informação através de uma fonte (Medina, 2001). A categoria de tema apresenta três hipóteses: catástrofe (selecionado quando a peça se refere em particular a catástrofes naturais, como tsunamis, tempestades e ciclones), alterações climáticas (selecionado quando a peça abrange o panorama geral dos impactos da crise climática e não se foca em nenhum evento em particular) e migração (selecionado quando a peça se foca no tema da migração forçada de indivíduos ou da comunidade).
As fontes foram identificadas segundo os seus nomes próprios, no entanto esse campo não constará na apresentação de resultados, nem foi utilizado para a análise de dados. Sendo que a questão principal desta investigação se centra na nacionalidade das fontes representadas, para as fontes com nacionalidade pertencente aos países das ilhas do Pacífico mencionados nas peças, foi selecionado o nome do seu país, para as fontes com nacionalidades que não estejam incluídas neste grupo de países, foi selecionada a opção “outra”. Tendo em conta que em diversas peças o número de fontes era superior a 1, foram contabilizadas todas as fontes presentes, sendo 5 o número máximo de fontes encontrado. Para a categoria da função da fonte, foram determinadas as opções de: especialista, habitante, representante político, porta-voz de uma ONG, organização internacional, profissional de saúde, operador jurídico, representante de uma agência governamental e Outro (selecionado quando a função da fonte não se enquadra em nenhuma das opções anteriores). Quando a função da fonte não se encontrava mencionada na peça, esta foi determinada através da pesquisa do nome da fonte. A representatividade da função de cada fonte é uma questão interessante para explorar nesta investigação. Por fim, para os países analisados, como referido anteriormente, temos as ilha Fiji, ilhas Marshall, ilhas Salomão, Kiribati, Samoa, Tonga, Tuvalu e Vanuatu. Inicialmente encontrava-se também nesta lista os Estados Federados da Micronésia, contudo após a triagem e a sua ausência em todas as peças, o país foi retirado da análise.

As peças foram selecionadas a partir das plataformas digitais dos três meios de comunicação, sendo que estas foram encontradas através da utilização de palavras-chave como “climate change”, “Pacific islands”, “climate-induced migration”, “climate refugee” e “climate”. Após a triagem foram selecionadas para amostra 94 peças no total, sendo que 27 pertencem à BBC News, 24 à Al Jazeera English e 43 ao The Guardian.

Apresentação de resultados e discussão

Neste capítulo são apresentados os resultados, organizados em tabelas, referentes à analise da amostra de investigação. Para que seja mais simples de tratar os dados a BBC News será referida apenas como BBC tal como a Al Jazeera English será referida apenas como Al Jazeera.

Como podemos observar na tabela 1. a nossa amostra é constituída por um total de 94 peças sendo que 27 destas correspondem à BBC, 24 à Al Jazeera e 43 ao The Guardian. Logo de partida podemos concluir que, de entre os três meios de comunicação escolhidos, o The Guardian é o que apresenta maiores valores de cobertura mediática sobre o impacto das alterações climáticas nas povoações das ilhas do Pacífico, com o número de 43 peças. De seguida temos a BBC, com menos 16 peças e a Al Jazeera com menos 19 peças. Em relação às peças que incluem fontes nativas continuamos a ter o The Guardian com uma maior quantidade, 33 peças, de seguida a BBC com 20 e por fim a Al Jazeera com 13. Podemos inferir destes valores que o The Guardian em 43 peças apresenta 33 com fontes nativas, o que corresponde a uma percentagem de 77%, a BBC em 27 peças apresenta 20 com fontes nativas, o que corresponde a uma percentagem de 74% e por fim a Al Jazeera que em 24 peças apresenta 13 com fontes nativas, o que corresponde a uma percentagem de 54%. Retiramos que das 94 peças estudadas 66 incluem a presença de vozes locais, correspondendo a cerca de 70% das peças.
 Através destes resultados podemos começar por explorar a H2: A Al Jazeera apresenta mais peças com citações de vozes nativas do que a BBC e o The Guardian. Tal não é verdade, podemos concluir que tanto a BBC como o The Guardian publicam mais peças com citações de fontes nativas do que a Al Jazeera. Das 24 peças analisadas, pertencentes a este último meio de comunicação, apenas 13 apresentam vozes locais, tal expressa-se numa percentagem de cerca de 50%, ou seja, 11 peças ou não apresentam fontes ou apresentam fontes de nacionalidades que não pertencem ao conjunto de países estudado. Logo podemos concluir que a H2 não é verdadeira, mas sim uma perceção que foi construida a cerca deste meio de comunicação.

Tabela 1. Quantidade de peças referente a cada meio de comunicação

A tabela 2. Representa a distribuição dos géneros jornalísticos utilizados nas 94 peças analisadas. Entre os três géneros jornalísticos estudados (entrevista, notícia e reportagem), podemos constatar que a entrevista é claramente o género menos utilizado, tendo apenas um valor total de 1, pertencente essa peça à Al Jazeera. O género mais predominante, por outra lado é a notícia. Das 94 peças analisadas, 78 pertencem a este género. A Al Jazeera e a BBC contribuíram com 19 notícias cada uma e o The Guardian com 40, tornando-se assim o meio de comunicação com o maior número de publicações deste género. Por fim, relativamente ao género jornalístico reportagem o meio de comunicação que se destacou foi a BBC, com 8 peças. A Al Jazeera e o The Guardian apresentam 4 e 3, respetivamente. ~

Através destes dados podemos concluir que existe uma lacuna na inclusão de formatos que utilizem vozes individuais e diretas, tais como a entrevista. Sendo a Al Jazeera único meio de comunicação com uma peça deste género, sendo também o meio de comunicação que apresenta maior diversificação de formatos, apesar dos valores serem discrepantes. Por outro lado, a reportagem, um género jornalístico que explora os temas com maior profundidade, apresenta uma representatividade limitada na amostra. Das 94 peças apenas um total de 15 são reportagens, um valor consideravelmente baixo comparativamente com as notícias.

Tabela 2.  Géneros jornalísticos associados a cada meio de comunicação

A tabela 3. apresenta a distribuição dos temas abordados nas 94 peças. Os temas foram classificados segundo as seguintes categorias: cobertura de catástrofes naturais, abordagem de aspetos gerais relativamente às alterações climática e por fim coberturas mediáticas relacionadas com a migração forçada. A categoria que apresenta valores mais elevados é relativa à cobertura das catástrofes naturais que ocorrem na região, tais como tufões, tempestades extremas, ciclones e cheias. 56 das 94 peças correspondem a esse tema. 26 publicadas pelo The Guardian, 17 pela Al Jazeera e 16 pela BBC. De seguida, com maiores valores, encontra-se a categoria referente à crise climática em geral, com 25 peças. Dessas 25 peças 14 correspondem ao The Guadian, 6 à BBC e 5 à Al Jazeera.

Estes dados evidenciam a preferência dos meios de comunicação pela cobertura de eventos extremos, sendo estes os impactos mais imediatos e visíveis das alterações climáticas. A cobertura mais abrangente das alterações climáticas, embora igualmente importante é menos priorizada em termos de frequência da publicações, refletindo um foco no imediatismo do “aqui e agora” e não dos pequenos impactos que afetam de igual forma as comunidades. A migração forçada, um tema extremamente importante e com diversos detalhes complexos e controversos, apresenta uma frequência de publicação muito reduzida. Reforçando a ideia de que não é uma prioridade para os media reportar os desafios reais que estas comunidades estão a enfrentar devido às alterações climáticas. A BBC, apesar de não contribuir com a maior quantidade de publicações, é o meio de comunicação em que os valores são mais consistentes. O The Guardian, apesar de liderar os valores das duas primeiras categorias, apresenta um valor muito inferior relativamente ao tema da migração.

Tabela 3. Número de peça correspondentes a cada tema


Existem peças em que mais do que um país é mencionado, sendo que o máximo de países mencionados foi 4. A tabela 2 apresenta os resultados da análise que quantifica o número de vezes em que cada país foi mencionado nos diferentes meios de comunicação. As ilhas Fiji foram mencionadas nos três meios de comunicação. Na BBC foram mencionadas 6 vezes, na Al Jazeera foram mencionadas 8 vezes e no The Guardian 12 vezes. Kiribati foi mencionados 9 vezes na BBC, 5 na Al Jazeera  e 4 no The Guardian. As ilhas Marshall tiveram apenas uma menção na BBC, 2 na Al Jazeera e 12 no The Guardian. As Ilhas Salomão foram mencionadas 6 vezes na BBC, 4 na Al Jazeera e 2 no The Guardian. Samoa teve uma presença muito reduzida nos três meios de comunicação, a BBC e na Al Jazeera não mencionaram o país uma única vez e o The Guardian fez 5 menções. Tonga por outro lado foi referido em 9 peças da BBC, 16 da Al Jazeera e 15 do The Guardian. Tuvalu foi representado em 7 peças da BBC, 3 da Al Jazeera e 8 do The Guardian. Vanuatu foi mencionado 5 vezes tanto na BBC como na Al Jazeera e 8 vezes no The Guardian. Segundo os dados podemos refletir que a BBC e o The Guardian mencionam em média 1,6 países por peça e a Al Jazeera 1,7 países por peça.

Podemos concluir destes resultados que os países mais mencionados são Tonga e Kiribati. Talvez por serem os países mais afetados por desastres ambientais, sendo que frequentemente são alvo de tsunamis, erupções vulcânicas e ciclones. Tanto as ilhas Marshall como Samoa são raramente representadas. Apesar de todos os países estarem em emergência climática nem todos são apresentados de forma equitativa.

Tabela 4. Número de peças em que cada país é mencionado

A tabela 5. apresenta a distribuição das nacionalidades das fontes citadas nas peças analisadas. A análise inclui fontes nativas do grupo de países em estudo das ilhas do Pacífico tal como a categoria “outra” que abrange as fontes de nacionalidades externas à região em estudo. Estes dados permitem avaliar a inclusão de vozes locais nas peças jornalísticas. Foi inferida a presença total de 69 fontes na BBC, sendo 35 delas nativas e 34 delas de outras nacionalidades. Na Al Jazeera foram mencionadas 57 fontes, das quais 27 são nativas e 30 são de nacionalidades externas. Por fim, no The Guardian foram mencionadas no total 118 fontes, das quais 70 são nativas e 48 são de outras nacionalidades.

Através destes dados é possível explorar a H1: As fontes nativas são citadas com menor frequência comparativamente às fontes externas e a H3: O The Guardian apresenta maior frequência de vozes nativas do que a BBC.
Na BBC a apresentação de vozes nativas e de vozes externas é quase igual, sendo que apenas difere por 1, no entanto, na amostra em estudo confirma-se que a BBC utiliza mais fontes nativas do que externas. A Al Jazeera por outro lado, segundo a amostra estudada, utiliza mais vozes externas do que vozes nativas. E o The Guardian utiliza sensivelmente 25% mais vozes nativas do que vozes externas.
Logo, podemos concluir que a H1 apenas é verdade para a Al Jazeera e não para os outros dois meios de comunicação e a H3 é completamente verdade.

Tabela 5. Nacionalidades presentes nas peças analisadas

Na tabela 6. encontra-se a distribuição e as respetivas percentagens correspondentes às funções desempenhadas pelas fontes mencionadas nos meios de comunicação. Através das categorias anteriormente definidas pretende-se identificar qual o perfil de fonte mais utilizado para criar as narrativas mediáticas.

Sem margem para dúvidas, podemos inferir que a categoria de representantes políticos é a mais citada nos três meios, representando 24,6% das fontes na BBC News, 38,6% na Al Jazeera e 33,1% no The Guardian. Logo de seguida, com maiores valores temos a categoria de habitantes. Esta categoria destacou-se especialmente no The Guardian, com um total de 26,3% de fontes locais, de seguida a Al Jazeera com 21,1% e por fim a BBC com 20,3%. A terceira categoria com maiores valores é a de especialista, sendo que a percentagem líder é de 25,6%, pertencente ao The Guardian, a Al Jazeera encontra-se em segundo lugar com 21,1% e por ultimo a BBC com 15,9 %. Também existe algumas menções de porta-voz de ONGs mas as restantes categorias encontram-se em posições relativamente ausentes.
Podemos concluir que representantes políticos continuam a desempenhar papéis centrais no debate mediático referente às alterações climáticas, sendo esta a categoria com os valores mais altos encontrados nos três meios de comunicação em simultâneo. As vozes de habitantes locais foram os segundos maiores valores nos três meios de comunicação refletindo a importância que estas fontes apresentam nas suas coberturas mediáticas. A BBC mostrou a maior diversidade nas fontes utilizadas, apenas apresentando a categoria “outro” vazia.

Tabela 6. Função da fontes referidas nas peças

A tabela 7, a 8 e a 9 correspondem à a distribuição das funções das fontes nativas mencionadas nas peças retiradas da BBC, Al Jazeera e The Guardian, respetivamente.

Como analisado na tabela 5, a BBC, na amostra estudada, utilizou 35 fontes nativas, das quais as nacionalidades destacadas foram de Kiribati (12),  Tonga (8) e e Ilhas Salomão (7). A tabela 7. mostra-nos de entre as categorias selecionadas, quais apresentam maior frequência. Em primeiro lugar temos a categoria de “Habitante” com o valor mais elevado, 12, onde 7 dessas menções pertencem a Kiribati, 2 às ilhas Salomão, 2 a Tonga e 1 a Fiji.
De seguida temos a categoria de “Representante político” com 11 menções, sendo que 4 dessas pertencem às Ilhas Salomão, 4 a Kiribati, 2 a Tonga e 2 a Vanuatu. As restantes categorias apresentaram consideravelmente menos menções, limitando as suas visibilidades. No entanto, podemos concluir que a BBC prioriza, entre as fontes nativas, dar voz a habitantes locais e dar a conhecer as suas perspetivas.

Tabela 7. Função das fontes nativas, no meio de comunicação BBC.

A Al Jazeera, na amostra estudada, utilizou 27 fontes nativas, das quais as nacionalidades destacadas foram de Fiji (12) e de Tonga (5). A tabela 8. por sua vez,  esclarece entre as categorias selecionadas, quais apresentam maior visibilidade. Em primeiro lugar temos a categoria de “Habitante” com o valor mais elevado, 12, onde 5 dessas menções pertencem às Ilhas Fiji, 2 a Tonga, 2 a Tuvalu, 1 a Kiribati e 1 às Ilhas Marshall.
A categoria de “Representante político” encontra-se no segundo lugar com com 7 menções, sendo que 3 dessas pertencem a Fiji, 2 a Tonga, 2, 1 às ilhas Marshall e 1 a Vanuatu. Em terceiro lugar encontra-se a categoria de “especialista” com apenas 4 menções, 2 de Fiji, 1 de Samoa e 1 de Tonga. As restantes categorias encontram-se quase ausentes na amostra.
Através destes dados é possível concluir que a Al Jazeera, entre as suas fontes nativas também prioriza a utilização de fontes que são habitantes locais e de representantes politicos pertencentes aos países em questão. Tal dá voz ao debate climático com perspetivas diretas dos locais e dos seus representantes.


Tabela 8. Função das fontes nativas, no meio de comunicação Al Jazeera.


Por fim encontra-se a tabela 9, que representa a função das fontes antivas utilizadas na amostra jornalsitica pertencente ao The Guardian. Este, na sua amostra utilizou 70 vozes nativas, cujas principais são pertencentes ao país de Fiji (23), Tonga (14) e Tuvalu (9) . Relativamente às funções das fontes mencionadas, encontra-se na liderança a categoria “habitante” com 30 fontes, sendo as suas principais nacionalidades de Tonga (8), ilhas Marshall (7) e Fiji (6).  De seguida a categoria com maior afluência é a “Representante político” com 23 fontes, sendo que as principais nacionalidades são de Fiji (11) e Tuvalu (5). As restantes categorias apresentam valores muito menos e discrepantes. Podemos concluir que o The Guardian prioriza a menção de vozes de habitantes locais e de representantes políticos.

Tabela 9. Função das fontes nativas, no meio de comunicação The Guardian.


A análise dos resultados permite evidenciar algumas tendências e padrões importantes na cobertura das alterações climáticas nas ilhas do Pacífico. Embora os três meios demonstrem esforços notáveis para incluir fontes nativas, a representatividade destas varia de forma significativa entre eles. O The Guardian destaca-se enquanto o meio com maior número absoluto de fontes locais e com maior proporcionalidade em relação a fontes externas. Seguido pela BBC e por ultimo pela Al Jazeera. Contudo, em todos os meios as vozes de nacionalidades externas continuam a desempenhar papeis dominantes.
A predominância do género jornalístico “notícia” reforça a tendência para os meios de comunicação se focarem e priorizarem os eventos imediatos e visíveis, deixando para segundo plano a importância das reportagens, que se caracterizam como aprofundamentos de histórias e perspetivas. É importante de se notar também que aliado ao facto do género jornalístico noticia ser o mais utilizado, o tema mais abordado é sobre a ocorrência de desastres naturais,  
É no entanto um dado importante de referir que, entre as fontes nativas, em todos os meios de comunicação, a categoria de “habitante” liderou os valores, sendo seguida pela categoria “ representantes políticos”. É positivo que sejam utilizados habitantes locais enquanto fontes, no entanto nota-se a pouca diversidade nas perspetivas apresentadas, sendo que as fontes nativas podem ocupar diversas funções diferentes.
Estes resultados sublinham a necessidade de maior equilíbrio na cobertura mediática no entanto encontram-se positivos, sendo que, se os meios de comunicação continuarem a incluir cada vez mais fontes nativas de diversas funções, conseguirão avançar em direção a uma justiça climática inclusiva e ética.

Conclusão

Este estudo procurou analisar se os meios de comunicação internacionais, nomeadamente a BBC News, a Al Jazeera English e o The Guardian, incorporam nas suas coberturas relativamente às alterações climáticas nas ilhas do pacífico vozes nativas. Foram utilizadas 94 peças como amostra jornalística e foi possível identificar traços significativos em cada um dos meios.

Os resultados revelam que 70% das peças analisadas incluíam fontes nativas e as suas funções são principalmente habitantes e representantes políticos. Apesar de serem funções pertinentes para elucidar em relação às suas perspetivas, poderia existir maior diversidade, incluindo a presença de especialistas e porta-voz de ONGs, que se encontram com valores reduzidos.
O The Guardian, entre os três meios de comunicação analisados, destaca-se pelos maiores valores referentes a fontes nativas (77%) , de seguido está a BBC News (74%) e por fim a Al Jazeera ( 54%). Sendo o tema principal da cobertura mediática na região referente a desastres naturais.
É necessário que os meios de comunicação continuem a procurar mais inclusividade  e a expandir as fontes utilizadas, tal como a representar outros tipos de temas, igualmente importantes.

Este estudo focou-se em apenas três meios de comunicação internacionais, utilizando uma metodologia de revisão de literatura e análise de conteúdo. Estudos futuros poderiam incluir mais meios de comunicação e expandir a análise para diferentes metodologias, de forma a encontrar mais padrões e a determinar soluções mais concretas para mitigar as possíveis falhas.

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Fotografia da capa: Créditos a Shaafi Ali on Unsplash